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Durante uma viagem, por mais curta que seja, para uma região, estado ou mesmo cidade diferente da nossa, conseguimos perceber a diversidade do povo brasileiro. Da culinária a religião, encontramos uma infinidade de marcas culturais deixadas por nossos antepassados. Reconhecer e respeitar as memórias que compõem nossa identidade, ajuda a mantermos vivos nossos costumes, histórias e tradições.

Quando criança, aprendemos que no ano 1.500, navegadores portugueses desembarcaram no litoral do que, atualmente, entendemos por Brasil. O contato dos exploradores/invasores europeus com os nativos indígenas é fruto de debates acalorados na academia brasileira, ainda hoje. Independentemente das posições e interpretações tomadas, a identidade sócio-cultural brasileira se moldou, passando por diferentes fases ao longo dos anos, até alcançar as complexidades da sociedade atual.

Costumes, religiões, sotaques, além de muitos outros aspectos das cinco diferentes regiões do Brasil, são características predominantemente ligadas às origens de povos nativos ou estrangeiros. De Norte a Sul, a pluralidade do folclore, da música, da culinária, etc., é perceptível aos olhos, ouvidos e paladares de qualquer viajante. No Nordeste, por exemplo, traços indígenas, africanos e europeus marcam gostos, preferências e tradições de seu povo.

A literatura popular de cordel é exemplo de manifestação artística nordestina, mas cujo berço remonta a Idade Média europeia. Pratos típicos a base da mandioca, como a tapioca, por sua vez, são lembranças deixadas pelos indígenas. O modo de usar determinados acessórios de beleza também são resgates das memórias africanas, como o uso de colares de conta ou de turbantes. Ou seja, as multiplicidades do século XXI foram construídas por muitas mãos.

No Programa Envolver de Desenvolvimento Humano, do IBLF, o respeito e reconhecimento quanto às diferenças apresentadas pelos alunos atendidos é valor importante para a evolução de suas atividades. Acompanhando 650 crianças, adolescentes e jovens de três bairros de alta vulnerabilidade social de Fortaleza, o Envolver promove ações com o propósito de fazer com que alunos e famílias se reconheçam como protagonistas principais de suas vidas.

O Programa é oferecido à toda comunidade assistida pelo Instituto Beatriz e Lauro Fiuza (IBLF), que atua nos bairros Passaré, José de Alencar e Henrique Jorge. De acordo com dados do Anuário do Ceará, essas localidades apresentam números muito baixos no Indice de Desenvolvimento Humano (IDH). Para a diretora de programas do IBLF, Helena Campelo, esses números refletem a dura realidade vivida pelos moradores dessas áreas, não sendo, porém, a principal característica delas.

“Nosso objetivo não é mostrar crianças e adolescentes como ‘coitadinhos’, mas como personagens empoderadas e autônomas de suas histórias. O contexto social é difícil, reconhecemos, mas não é o fim”, declara. Em meio ao contexto em que, quase exclusivamente, apenas a violência e pobreza são enfatizadas, o IBLF aprecia uma outra lógica para as comunidades. “Não valorizamos aspectos negativos. Pelo contrário, evidenciamos aquilo que há de bom nos locais em que estamos”, afirma Helena.

A diversidade, inclusive, é um aspecto de relevante importância para a existência e atuação do Instituto, que também empreende atividades esportivas e culturais. Em consonância com os Programas de Karatê Bushi No Te e de Música Jacques Klein, o Envolver promove intervenções colaborativas sobre variados temas.

“Trabalhamos com uma lógica de liberdade, respeito, autonomia, empoderamento e protagonismo, sempre buscando sensibilizar nossos alunos sobre as suas diferenças. Buscamos uma noção de cidadania”, destaca Helena. Segundo a assistente social do IBLF Louise Gomes, a equipe do Envolver tem “um olhar para a diversidade”. “Não fazemos diferenciação econômica, étnica, de gênero ou de sexualidade. Todas as pessoas são bem- vindas”, conclue.

“Ser diferente é normal”, é o que garante Seanne Cristina, assistente de coordenação educativa do IBLF. Para ela, o autoconhecimento é fator principal para a conquista de empoderamento. “A melhor maneira de se libertar é se conhecer. Depois disso, as pessoas conquistam o empoderamento de suas vidas”, acredita. A busca de conhecimento também é importante nesse processo. “Você vai juntando pecinha por pecinha, traçando planos e conseguindo ser protagonista do seu próprio futuro”.