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As motivações para se iniciar uma prática esportiva podem ser as das mais variadas. Saúde e lazer são as causas mais lembradas por muitos. Porém, existe algo que o esporte realiza, que vai muito além do cuidado com o corpo: a integração social. Ela pode até não ser uma demanda prévia, mas certamente é uma finalidade essencial.

O Instituto Beatriz e Lauro Fiuza (IBLF), através do Programa de Karatê Bushi No Te, visa ampliar as realidades de crianças, adolescentes e jovens de Fortaleza, no Ceará. Mais do que a prática esportiva, a busca pela formação cidadã é um objetivo alcançado pela luta japonesa.

Exemplos de praticantes que tiveram seus horizontes transformados, depois do ingresso na arte marcial, são vários. Destacamos três alunos do IBLF: Orleans, Carlos e Rayssa, os quais, com trajetórias diferentes, têm no karatê um alicerce indispensável em suas vidas.

Orleans Glinston (24) treinou karatê durante seis anos, chegando à faixa roxa e alcançando títulos como o de campeão brasileiro e norte-nordeste. Seu ingresso no Curso de Petróleo e Gás, na Universidade de Fortaleza (Unifor), juntamente com seu trabalho, o forçaram a interromper suas idas ao tatame. No entanto, ele afirma que não largou a luta, pois os ensinamentos conquistados ao longo dos anos permanecem vivos em seu cotidiano.

“O karatê está presente a todo momento em minha vida”, conta o ex-atleta, que diz que começou a treinar somente para ocupar os períodos ociosos de sua rotina. Depois de alguns dias, porém, percebeu que a luta japonesa se tornou bem mais que um passatempo. “Além da melhoria do condicionamento físico, o karatê me propôs o enfrentamento da timidez e acentuou meu espírito de liderança e perseverança”.

Atualmente em sua segunda faculdade, no Curso de Química na Universidade Federal do Ceará (UFC), Orleans exalta os ensinamentos éticos e morais compartilhados durante os treinamentos. “Disciplina, paciência, respeito mútuo e responsabilidade são valores que auxiliam muito, na construção da honra de um carateca”, ressalta.

Contemporâneo a Orleans, Carlos Castro (23) é faixa verde e também já disputou campeonatos importantes dentro e fora do Ceará. Ele evidencia a grande reviravolta que os ensinamentos do karatê trouxeram para sua vida. “Aprendi que vencer em equipe é bem mais prazeroso que uma conquista individual. Muitas vezes valorizamos coisas passageiras, como títulos, e esquecemos de valorizar as pessoas”, conta.

Formado na Universidade Estadual do Ceará (UECE) e atualmente mestrando em Física, na UFC, Carlos revela que disciplina e persistência são as maiores marcas que a arte marcial lhe deixou. “O karatê me mostrou que sou a protagonista da minha vida, às vezes a gente esquece disso”, reflete. Ele indica ainda, a real importância da luta japonesa para si. “Os ensinamentos estão diretamente ligados às minhas conquistas e ao ser humano que me tornei. Posso afirmar com toda a certeza: o Karatê mudou minha vida”.

Rayssa Feitosa (15), por sua vez, entrou no karatê em 2014, por influência de familiares e por curiosidade em conhecer coisas e pessoas novas. Atualmente com a faixa laranja, Rayssa afirma que o karatê a ensinou a ter mais responsabilidade e respeito pelos outros.

“O legal do karatê é que você entra em um grande ciclo de amizades”, destaca Rayssa. Ela tem esperança de entrar em uma faculdade na área da saúde e acredita que, conseguindo seu ingresso na Universidade, desenvolverá no seu dia a dia, muitas lições aprendidas nos treinamentos. “Seja no karatê, na faculdade ou na vida, eu quero retribuir tudo aquilo que me ensinaram”.

Afora Orleans, Carlos e Rayssa, muitos outros alunos e ex-alunos do IBLF têm a prática do karatê como uma montanha em que podem subir e alçar seus olhares a horizontes grandiosos. A importância do Programa Bushi No Te na vida dos praticantes e na sociedade de modo geral, se reflete não somente no número de medalhas conquistadas em competições. Sua pertinência é revelada nas histórias de pessoas que começam a pensar o mundo como um lugar possível para sonhar e transformar.